
Capa do cd-rom do jogo.
Já há alguns anos que a Réunion des Musées Nationaux (RMN) desenvolve objectos multimédia que proporcionam uma aprendizagem interactiva com a extensa bagagem do património cultural mundial. Em 1998 lançou o jogo China: Intrigue in the Forbidden City, com a ajuda do Canal+Multimédia e da Cryo Interactive Entertainment, e publicação pela RP Electronic Media. Jogos como este fazem-nos pensar no papel do Jogo na nossa cultura e sociedade.
China é um jogo de aventura, em 3d, no qual seguimos interactivamente a investigação de um homicídio. Jogos como este são considerados como “edutainment”, ou seja, entretenimento e educação ao mesmo tempo, utilizando um modo de divertimento para proporcionar a aprendizagem. Este método resulta especialmente em crianças, nas quais ainda é natural aprender a brincar, aliás é assim que começamos a nossa vida. No caso do China, um jogo para todas as idades, vê-mo-nos mais perto do património cultural chinês, transportando-nos para o ano de 1775, na Cidade Proibida, em Beijing. Temos assim oportunidade de explorar a cidade a partir da qual o Imperador Chinês governava o império, minuciosamente reproduzida, e históricamente correcta, tal como existia naquela época.
Apesar de haver um “Modo de Visita” (Visit the Site) em que podemos simplesmente passear pela cidade e consultar a documentação histórica, no “Modo de Jogo” tomamos o papel do superintendente da Casa Imperial, Anjing, que no mesmo dia em que é nomeado para o cargo, se vê a braços com uma investigação cheia de enigmas, que, se mal sucedida, pode acabar imediatamente com a sua carreira. É o próprio Imperador Qianlong, 4º imperador da dinastia Qing (invasores da Manchúria), a entregar-lhe a missão de descobrir o assassino do Chefe Eunuch (eunuco) Wang da Casa Imperial, até ao pôr do sol. Um homicídio dentro das paredes da Cidade Proibida é uma afronta ao império, e como tal o responsável tem que ser descoberto o mais depressa possível. Ao longo do jogo a investigação torna-se cada vez mais séria e envolvente, à medida que seguimos pistas, lê-mos as confissões terríveis de Wang, resolvemos puzzles, e conversamos com os outros personagens.
Para um melhor estudo, o China foi analisado através do método de Lars Konzack, que proporciona uma descrição mais detalhada do jogo. Essa é a parte nuclear do trabalho, pelo que deve ser consultada através do slideshow em “China: Intriga na Cidade Proibida”.
É inevitável aprender sobre o património cultural chinês quando se joga este jogo. O China não pode ser, de todo, separado da sua história e do seu contexto histórico. Os conteúdos e materiais foram transportados para o jogo digital através de inúmeros factores, desde a representação virtual minuciosa da Cidade Proibida ao modo com os personagens se relacionam e conversam com o nosso personagem.
A vantagem de criar um jogo para transmissão de conteúdos culturais é gerar um maior envolvimento e consequentemente proporcionar uma experiência pessoal em que o nível de interesse é maior. E sobretudo dar-nos a oportunidade de conhecer na primeira pessoa, e bem mais de perto, no conforto da nossa casa, um ambiente que de outro modo nunca teríamos conhecido. A desvantagem é poder desviar-se do intuito principal de transmissão de conhecimento, e a história fictícia do jogo se sobrepor às informações de nível cultural. Mas para isso também podemos explorar a cidade proibida de forma interactiva, sem seguir qualquer história. Deste modo há coisas que se perdem com o jogo e outras que se ganham. A história e narrativa do jogo China não é dispensável e ajuda-nos compreender outros factores da vida quotidiana na Cidade Proibida. Temo-mos aqui, por exemplo, os mandatos que são necessários para circular em certas zonas, ou o modo com funciona a hierarquia de pessoas e funções na cidade, bem como os modos de relacionamento entre elas. O jogo em si só completa um conhecimento mais aprofundado do património cultural, mas não substitui de forma alguma outro tipo de documentação. É uma forma diferente e mais envolvente de usufruir a informação, mas não chega para transmitir a vasta cultura chinesa, daí a necessidade da secção de documentação, e a possibilidade e sempre ao longo do jogo acedermos a essa informação. Aliás, durante o jogo somos induzidos a ir à documentação procurar a solução para os puzzles, e até para perceber melhor a nossa função e caminho da história. Sem duvida o facto de a narrativa ser interactiva permite e é muito mais propensa ao conhecimento do que se fosse um filme ou livro de ficção. Permite-nos experimentar uma época, sendo nós próprios e aos mesmo tempo uma personagem dessa altura.
Em última instância o jogo funciona como uma máquina do tempo e do espaço, com a capacidade nos levar onde de outra coisa não poderíamos ir, e viver outras experiências que de outra modo não seriam possíveis. E ainda para mais divertir-nos a aprender é das formas mais fáceis, rápidas e naturais de o fazer.
:: Este post faz parte da apresentação do exercício “Culturtaiment”. Deve ser lido em conjunto com o slideshow da página “China: Intriga na Cidade Proibida” referida acima. Para fazer o download do documento escrito completo, clique aqui. ::


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